Saltar para o conteúdo
    • Notícias
    • Desporto
    • Televisão
    • Rádio
    • RTP Play
    • RTP Palco
    • RTP Zig Zag
    • RTP Ensina
    • RTP Arquivos
RTP África
  • Programas
  • Informação
  • Desporto
  • Podcasts
  • Vídeos
  • + RTP África
    Programação Top as 10 + sem espinhas

NO AR
Imagem de Uma nova cultura política em Moçambique
África em Destaque 10 fev, 2025, 09:34

Uma nova cultura política em Moçambique

Imagem de Uma nova cultura política em Moçambique
África em Destaque 10 fev, 2025, 09:34

Uma nova cultura política em Moçambique

Na sequência das eleições gerais de 2024 Moçambique assistiu aos conflitos pós-eleitorais mais intensos de que há memória. Analisando os incidentes é possível identificar a seguinte geografia do protesto:
Em primeiro lugar, as manifestações mais mediáticas concentram-se nos principais centros urbanos, com destaque para a área metropolitana de Maputo, mas também Nampula ou Nacala. Nas grandes cidades, a desindustrialização foi acompanhada pelo crescimento acelerado da população. O mau ambiente de negócios (marcado pela excessiva burocracia, corrupção e problemas de acesso à justiça) dificultam a criação de empregos. Agravada pelas dívidas ocultas, a pobreza urbana continua a conviver com uma emergente sociedade de consumo, com efeitos socialmente sísmicos.

Em segundo lugar o protesto foi visível nas áreas de concentração de grandes projectos extractivos. Pela província de Cabo Delgado, Nampula, Zambézia ou Manica, milhares de garimpeiros ocuparam zonas de extracção de ouro e pedras preciosas, por vezes destruindo instalações de empresas consessionárias e apropriaram-se dos minérios. Noutros locais, populações afectadas por grandes projectos insurgem-se contra empresas multinacionais, acusando-as da não criação de empregos ou infraestruturas sociais. Ao longo das últimas décadas, um investimento em capital intensivo teve pouca relação com o tecido económico local, aumentando a pressão sobre terras, e expropriando dezenas de milhar de camponeses. Promessas vagas de “desenvolvimento” fizeram aumentar as expectativas sociais. Mas a chegada de trabalhadores de fora da região, mais qualificados, que aproveitaram as melhores oportunidades de emprego, não só fizeram crescer a inflação, como alimentaram um sentimento de desprotecção entre os locais.

Em terceiro lugar, o protesto foi intenso nos corredores de transporte, nomeadamente de Maputo, Beira, Nacala e Lichinga. Cansados de assistir à extracção e exportação de matérias-primas (madeira, carvão, areais pesadas, grafite ou pedras preciosas ou gás), sem que fossem visíveis benefícios directos e imediatos, milhares de indivíduos bloquearam corredores de transporte, por vezes cobrando valores monetários pela circulação. Por estes locais emerge a convicção segundo a qual o país é rico em recursos naturais, mas que estes não beneficiam as populações.
Se predominava uma cultura política de súbdito, nas últimas décadas emergiu uma consciência política mais participativa e inconformada. Num cenário de desobediência civil generalizada, sectores da população bloqueiam estradas, recusam-se a pagar portagens e taxas municipais e exigem a diminuição de preços de bens e serviços essenciais, sob ameaça de destruição de infraestruturas. A expressão Anamalala (que em makua significa “acabou” ou “chegou ao fim”) é hoje repetida por todos os grupos etnolínguísticos do país, e constitui um dos símbolos deste movimento de protesto.

Diversos sectores da população, que se sentiam órfãos de um líder mais confrontativo do status quo, encontraram em Venâncio Mondlane a capacidade de preencher o vazio deixado pela morte de Dhlakama ou de, anteriormente, Samora Machel. Venâncio foi capaz de ressuscitar toda uma renamo social, concentrando dezenas de milhares de indivíduos em êxtase, em qualquer comício improvisado, inclusive na província de Gaza, o famoso bastião do partido Frelimo.

Incapaz de se adaptar a uma população mais irreverente, o governo continua a apostar na repressão e criminalização dos manifestantes. As respostas governamentais continuam alheias aos principais problemas do país. Descentralização, despartidarização do Estado, terras e minas, eliminação de benefícios fiscais de grandes projectos ou protecção de direitos humanos constituem reformas necessárias, mas largamente ausentes do discurso governamental. Num cenário de insatisfação generalizada, o governo responde com medidas pontuais, repetindo o slogan “vamos trabalhar” ou “fazer as coisas de forma diferente”. É necessário fingir que muda alguma coisa, para que tudo fique na mesma.

Imagem de Opinião de...João Feijó (Moçambique)

Opinião de...João Feijó (Moçambique)

Uma nova cultura política em Moçambique

Mais Episódios

Pode também gostar

Imagem de Os Impactos da escassez de Fertilizantes em África e o Relatório dos Repórteres sem fronteiras

Os Impactos da escassez de Fertilizantes em África e o Relatório dos Repórteres sem fronteiras

Imagem de À Tarde no Kubico – Brevemente

À Tarde no Kubico – Brevemente

Imagem de 10 Fórum de Dakar sobre a Paz e a Segurança em África e Violência xenófoba na Áfrical do Sul

10 Fórum de Dakar sobre a Paz e a Segurança em África e Violência xenófoba na Áfrical do Sul

Imagem de Afronation 2026 – Portimão – Portugal

Afronation 2026 – Portimão – Portugal

Imagem de Visita do Papa Leão XIV a África e As novas leis do Senegal contra a Homossexualidade

Visita do Papa Leão XIV a África e As novas leis do Senegal contra a Homossexualidade

Imagem de As eleições na Hungria e a Reunião dos Países do Atlântico Sul, no Rio de Janeiro

As eleições na Hungria e a Reunião dos Países do Atlântico Sul, no Rio de Janeiro

Imagem de Emissão Especial – Papa em Angola

Emissão Especial – Papa em Angola

Imagem de Memória e Reparação: a ONU assinala 32 anos do genocídio do Ruanda sob o signo da resolução sobre a escravatura.

Memória e Reparação: a ONU assinala 32 anos do genocídio do Ruanda sob o signo da resolução sobre a escravatura.

Imagem de RTP África para ver e ouvir

RTP África para ver e ouvir

Imagem de Plano Mattei: o novo modelo de cooperação com África

Plano Mattei: o novo modelo de cooperação com África

PUB

Siga-nos nas redes sociais

Siga-nos nas redes sociais

  • Aceder ao Facebook da RTP África
  • Aceder ao Instagram da RTP África
  • Aceder ao YouTube da RTP África

Instale a aplicação RTP Play

  • Descarregar a aplicação RTP Play da Apple Store
  • Descarregar a aplicação RTP Play do Google Play
  • Contactos
  • Frequências
  • Programas
  • Podcasts
Logo RTP RTP
  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
  • Youtube
  • flickr
    • NOTÍCIAS
    • DESPORTO
    • TELEVISÃO
    • RÁDIO
    • RTP ARQUIVOS
    • RTP Ensina
    • RTP PLAY
      • EM DIRETO
      • REVER PROGRAMAS
    • CONCURSOS
      • Perguntas frequentes
      • Contactos
    • CONTACTOS
    • Provedora do Telespectador
    • Provedora do Ouvinte
    • ACESSIBILIDADES
    • Satélites
    • A EMPRESA
    • CONSELHO GERAL INDEPENDENTE
    • CONSELHO DE OPINIÃO
    • CONTRATO DE CONCESSÃO DO SERVIÇO PÚBLICO DE RÁDIO E TELEVISÃO
    • RGPD
      • Gestão das definições de Cookies
Política de Privacidade | Política de Cookies | Termos e Condições | Publicidade
© RTP, Rádio e Televisão de Portugal 2026