Saltar para o conteúdo
    • Notícias
    • Desporto
    • Televisão
    • Rádio
    • RTP Play
    • RTP Palco
    • RTP Zig Zag
    • RTP Ensina
    • RTP Arquivos
RTP África
  • Programas
  • Informação
  • Desporto
  • Podcasts
  • Vídeos
  • + RTP África
    Programação Top as 10 + sem espinhas
TV • RTP África

Rádio • RTP África

Imagem de Do parto às diferenças culturais: A nova realidade da natalidade em Portugal
Foto: Rádio RTP África
Notícias África 9 set, 2026, 19:26

Do parto às diferenças culturais: A nova realidade da natalidade em Portugal

Imagem de Do parto às diferenças culturais: A nova realidade da natalidade em Portugal
Notícias África 9 set, 2026, 19:26

Do parto às diferenças culturais: A nova realidade da natalidade em Portugal

Neste Dia Nacional da Natalidade, destaque para a Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa.  

Metade dos bebés são filhos de mães de nacionalidade estrangeira, como as provenientes do Brasil, Angola, Cabo Verde, Índia e Nepal.  

A jornalista Carolina Malheiro foi à Maternidade Alfredo da Costa e ajuda-nos a perceber como funciona esta unidade hospitalar: 

Imagem de Dia da Natalidade

Dia da Natalidade

É hoje assinalado o Dia Nacional da Natalidade. <br /> Este que é também conhecido como dia da grávida, celebra-se a 9 de Setembro, tendo como referência os 9 meses da gravidez.

Mais Episódios

 Transcrição da reportagem: 

 A Maternidade Alfredo da Costa registou cerca de três mil e oitocentos partos no ano passado. Até ao final de agosto deste ano, já ultrapassou os dois mil. A procura pela maternidade é também influenciada pelo encerramento temporário de algumas unidades. 

 A enfermeira Anabela Silva explica de que forma esta situação se refletiu na Alfredo da Costa: “Uma das causas parece-nos que nós no ano 2024, por exemplo, tivemos um número de partos superior aos outros anos, porque foi aquela época em que nós tínhamos várias maternidades fechadas e a nossa manteve-se sempre aberta. Isto ainda se verifica de vez em quando, mas não com tanta frequência como até aqui. Já há mais hospitais com maternidades abertas e como tal o nosso número de partos talvez tenha descido um bocadinho por isso. Quando os outros hospitais fecham nós temos uma maior procura”. 

A Alfredo da Costa é uma maternidade de nível terciário. Recebe grávidas e bebés que precisam de acompanhamento especializado, incluindo situações de maior risco. Por isso, recebe também mulheres encaminhadas de diferentes zonas de Lisboa. 

Como explica a enfermeira Catarina Teixeira: “Significa que para aqui são referenciados as situações de maior risco, tanto do ponto de vista materno como do ponto de vista fetal e neonatal. Logo, somos uma maternidade que disponibiliza um tipo de cuidado que não existe em todas as maternidades do país. E isso faz com que grande parte, uma parte importante da população nos procure por esses cuidados”. 

Nos últimos anos, a maternidade voltou a registar uma subida do número de nascimentos, depois de um período de diminuição da natalidade, em Portugal. Entre as mulheres acompanhadas estão também cada vez mais grávidas migrantes. 

 “Também temos assistido nos últimos anos a um aumento progressivo do número de partos, portanto, nós estivemos durante alguns anos consecutivos a assistir a uma diminuição da natalidade, com um decréscimo considerável do número de partos nas diferentes maternidades do país e aqui não foi exceção e neste momento assistimos à curva inversa. Estamos novamente a aumentar o número de partos. E isto também se deve em grande medida a um número de grávidas migrantes que acolhemos”, revela Catarina Teixeira. 

 Os dados da própria maternidade acompanham esta evolução. De acordo com Anabela Silva, a percentagem de mulheres estrangeiras entre as que têm filhos na Maternidade Alfredo da Costa tem aumentado nos últimos três anos. “Nós neste momento este ano a taxa de mulheres estrangeiras que tiveram os filhos connosco foi 53%. O ano passado 52, o ano anterior 47, portanto essa tendência parece-nos estar a ser crescente da procura de mães estrangeiras”, confessa. 

Entre as grávidas que chegam à maternidade, estão mulheres de várias nacionalidades. A maioria vem do Brasil. Há também muitas mulheres dos países africanos de língua portuguesa. 

Nos últimos anos, tem aumentado o número de mulheres do sul da Ásia, de acordo com a enfermeira Catarina Teixeira. 

“Para além da nacionalidade brasileira, que é que tem mais expressão. Depois vêm de uma forma mais ou menos equitativa quer os países de língua oficial portuguesa, nomeadamente pessoas oriundas de Angola e Cabo Verde. E depois logo a seguir São Tomé e Príncipe e Guiné. Também, mas com menos expressão, pessoas naturais de Moçambique. E depois o grande crescimento tem sido efetivamente das pessoas oriundas do sul asiático, nomeadamente Bangladesh, Nepal, Paquistão e Índia”. 

É sobretudo com algumas destas comunidades que os profissionais identificam dificuldades de comunicação. 

“As mulheres que são oriundas do sul asiático trazem-nos outras dificuldades. Muitas delas porque não dominam o português e além de não dominarem o português, não dominam também o inglês. E aqui temos de facto algumas dificuldades no estabelecimento da comunicação”, conta. 

Quando não existe uma língua comum, os profissionais recorrem a diferentes soluções para comunicar com as utentes. Entre elas estão familiares e intérpretes. 

“Tentamos sempre ultrapassar essas dificuldades que estão do lado dos profissionais e do lado das utentes, recorrendo a um familiar de referência, que possa servir de intérprete, ao ChatGPT que também nos ajuda, ao Google Tradutor, e todas essas ferramentas ajudam-nos a estreitar relação e a minimizar aqui o desconforto das utentes”. 

A comunicação não é a única diferença identificada pelos profissionais. A equipa procura também ter em conta práticas religiosas e culturais durante o internamento. 

“Uma das questões muito importantes para a prestação de cuidados é percebermos qual é, por um lado, a convicção espiritual ou religiosa que cada utente professa, e perceber de que forma é que isso impacta na forma como nós podemos prestar cuidados, nomeadamente, utentes muçulmanas, hindus que têm alguma renitência em ser acompanhadas por homens”. 

Quando é possível, a maternidade adapta a prestação de cuidados a essas necessidades. A enfermeira Catarina Teixeira dá como exemplos a escolha de profissionais do sexo feminino, a alimentação e o respeito pelos momentos de oração. 

“Quando as utentes têm necessidade de fazer, por exemplo, as cinco rezas ao longo do dia, facilitar que na sua unidade possam ter o tapete, se fizer sentido para elas, ou que possam fazer a sua reza no momento de maior recolhimento. Adequar a alimentação que fornecemos, mesmo a alimentação hospitalar, às condições culturais de cada utente, seja vegetariana, seja sem carne de vaca ou sem carne de porco”. 

A diversidade cultural também é visível durante o próprio trabalho de parto. Os profissionais dizem que diferentes mulheres expressam a dor e a evolução do parto de formas diferentes. 

“Desde as senhoras africanas que entoam cânticos, ou vocalizações muito expressivas no momento do trabalho de parto ou no momento de maior dor, em que nos apercebemos que o trabalho de parto está efetivamente a evoluir pela forma como batem na perna ou como vocalizam. Também nos ajuda muito a entender os sinais para além do toque vaginal“. 

Para além das diferenças culturais e linguísticas, existe outra questão no acesso aos cuidados: a existência ou não de médico de família. Segundo a médica Alexandra Queirós, a maioria da população migrante da área abrangida pela unidade local de saúde não tem médico de família. 

“Na comunidade migrante da nossa ULS, apenas 30% da população está com médico de família atribuído. Perante esta dificuldade, a ULS tomou a iniciativa de abrir a Clínica Nascer e Crescer, que se situa ali em Marvila, e que todos os anos recebe então estas grávidas que não têm acesso a cuidados na gravidez, porque não têm médico de família atribuído”. 

A Clínica Nascer e Crescer acompanha grávidas e crianças até aos dois anos. Depois do acompanhamento inicial, as grávidas são encaminhadas para a Maternidade Alfredo da Costa para o parto. 

“Esta clínica recebeu no ano passado cerca de 774 grávidas, neste ano já vai com mais de 1.000, e depois, após este acompanhamento inicial na clínica Nascer e Crescer, estas grávidas são encaminhadas para nós, para a maternidade Alfredo da Costa, e têm connosco o parto”, explica Alexandra Queirós. 

É neste contexto que está a avançar o projeto Integrar para Nascer, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian. O projeto prevê novas respostas para as grávidas migrantes, incluindo dois mediadores socioculturais. 

“Neste momento nós não temos mediadores. Para a parte destas comunidades sul-asiáticas têm mais dificuldades, têm mais barreiras. Muitas vezes não compreendem aquilo que nós transmitimos, não conseguem navegar no sistema. E, portanto, neste momento, nós vamos ter connosco dois mediadores que vão fazer a ajuda na navegação e vão também fazer esta mediação cultural”. “Mediação não é apenas uma tradução, é também perceber de que forma é que o contexto cultural deles, que é diferente, se depois se consegue adaptar e a que informação que nós transmitimos é bem recebida e bem percebida também pelos casais”. 

O projeto prevê ainda uma linha telefónica de apoio, materiais de literacia em saúde e uma componente de telemedicina entre a Clínica Nascer e Crescer e a Maternidade Alfredo da Costa. 

Está também previsto apoio jurídico para grávidas migrantes e familiares. 

“O apoio jurídico vai ajudar mesmo a questão das imigrantes muitas vezes que têm um trabalho que ainda não é regular ou que ainda não estão devidamente regularizadas ou que têm problemas de parentalidade porque são despedidas quando se descobrem que estão grávidas”. 

As novas respostas ainda estão a ser preparadas. Mas, todos os dias, a Maternidade Alfredo da Costa acompanha mulheres de diferentes nacionalidades. É o caso de Rayani Paula, uma grávida de nacionalidade brasileira. Chegou à Maternidade Alfredo da Costa há quatro anos, para fazer tratamentos de fertilidade. É agora nesta maternidade que está a ser acompanhada durante a gravidez. 

“É o primeiro e a gente sonhou tanto e são 4 anos tentando e aí veio de forma inesperada. Então a gente tá muito feliz, é o primeiro. É um menino“.

A gravidez foi acompanhada na maternidade. Durante uma consulta, os profissionais detetaram valores elevados de tensão arterial e decidiram internar Rayani Paula. 

“Eu não esperava ficar internada, porque na verdade eu vim para uma consulta, mas graças a Deus que eu vim para essa consulta e eles identificaram rapidamente que eu precisava ser assistida de uma forma mais de perto, mais cuidadosa, por conta das minhas tensões que estavam altas”. 

Agora, a poucos dias do nascimento, a futura mãe diz estar ansiosa com o parto e espera que tudo decorra sem complicações. 

“Eu não tenho noção do que vai acontecer. Eu tô muito ansiosa. Então a gente quer que aconteça da melhor forma possível, da forma mais humanizada possível e que tenha o mínimo de intercorrências possível também”. 

Declarações à Rádio RTP África de profissionais da Maternidade Alfredo da Costa, no âmbito do Dia Nacional da Natalidade. 

 

 

Pode também gostar

Imagem de A Roça Diogo Vaz, uma das seis roças são-tomenses inscritas como património mundial pela UNESCO

A Roça Diogo Vaz, uma das seis roças são-tomenses inscritas como património mundial pela UNESCO

Imagem de Ministro da Educação de Cabo Verde está na ilha do Fogo

Ministro da Educação de Cabo Verde está na ilha do Fogo

Imagem de Doenças respiratórias e toráxicas são um dos maiores problemas do sistema de saúde moçambicano

Doenças respiratórias e toráxicas são um dos maiores problemas do sistema de saúde moçambicano

Imagem de Apelo renovado em Moçambique para a preparação de resposta ao El Niño

Apelo renovado em Moçambique para a preparação de resposta ao El Niño

Imagem de África vai ter um tamanho maior, real, nos mapas em que o continente estiver representado

África vai ter um tamanho maior, real, nos mapas em que o continente estiver representado

Imagem de Campanha eleitoral em São Tomé e Príncipe num clima de tensão

Campanha eleitoral em São Tomé e Príncipe num clima de tensão

Imagem de Plataforma das Comunidades Africanas Residentes em Cabo Verde pede que sejam pacíficos os protestos de guineenses

Plataforma das Comunidades Africanas Residentes em Cabo Verde pede que sejam pacíficos os protestos de guineenses

Imagem de Militares da Guiné-Bissau decretam distância obrigatória para os partidos

Militares da Guiné-Bissau decretam distância obrigatória para os partidos

Imagem de Partido ANAMOLA exige investigação a mais uma morte de um membro seu

Partido ANAMOLA exige investigação a mais uma morte de um membro seu

Imagem de Angola registou 184 casos de Mpox entre 6 de julho e 16 de agosto

Angola registou 184 casos de Mpox entre 6 de julho e 16 de agosto

PUB

Siga-nos nas redes sociais

Siga-nos nas redes sociais

  • Aceder ao Facebook da RTP África
  • Aceder ao Instagram da RTP África
  • Aceder ao YouTube da RTP África

Instale a aplicação RTP Play

  • Descarregar a aplicação RTP Play da Apple Store
  • Descarregar a aplicação RTP Play do Google Play
  • Contactos
  • Frequências
  • Programas
  • Podcasts
Logo RTP RTP
  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
  • Youtube
  • flickr
    • NOTÍCIAS
    • DESPORTO
    • TELEVISÃO
    • RÁDIO
    • RTP ARQUIVOS
    • RTP Ensina
    • RTP PLAY
      • EM DIRETO
      • REVER PROGRAMAS
    • CONCURSOS
      • Perguntas frequentes
      • Contactos
    • CONTACTOS
    • Provedora do Telespectador
    • Provedora do Ouvinte
    • ACESSIBILIDADES
    • Satélites
    • A EMPRESA
    • CONSELHO GERAL INDEPENDENTE
    • CONSELHO DE OPINIÃO
    • CONTRATO DE CONCESSÃO DO SERVIÇO PÚBLICO DE RÁDIO E TELEVISÃO
    • RGPD
      • Gestão das definições de Cookies
Política de Privacidade | Política de Cookies | Termos e Condições | Publicidade
© RTP, Rádio e Televisão de Portugal 2026