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Imagem de Administrador bancário, profissão de risco
África em Destaque 26 jan, 2026, 08:15

Administrador bancário, profissão de risco

Imagem de Administrador bancário, profissão de risco
África em Destaque 26 jan, 2026, 08:15

Administrador bancário, profissão de risco

Na última semana foi encontrado morto, numa casa de banho de um hotel em Maputo, um administrador de um dos maiores bancos privados de Moçambique: O banco Comercial de Investimentos (BCI), maioritariamente controlado pelo grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD), com participação do BPI.

A morte de um administrador de um dos maiores bancos em Moçambique, numa casa de banho pública de um hotel de referência, apresentando marcas de facadas pelo corpo, levanta todo um conjunto de suspeitas. Num Estado frágil, como Moçambique, caracterizado por pressões da elite política e do crime organizado sobre a banca, pela tentativa de implementação de leis de combate ao branqueamento de capitais e crime organizado, a actividade dos bancários torna-se mais arriscada. É conhecido o apetite da numenclatura nacional por instituições bancárias, com históricos de falências em virtude de empréstimos que nunca foram pagos, sendo famosos os casos do BCM e do Banco Austral. No primeiro caso, o BCM veio a ser fundido com o Banco Internacional de Moçambique (BIM), controlado pelo grupo Millennium BCP, que não mostrou uma atitude particularmente assertiva na investigação do crédito mal parado. Anos antes, em 1997, José da Lima Félix, então o administrador do BIM havia sido alvejado na rua. A polícia concluiu que se havia tratado de um simples assalto, mas muitas teorias ligaram o assassinato a fraudes bancárias, que alegadamente o administrador investigava.

No caso do Banco Austral, o Banco de Moçambique nomeou Siba Siba Macuauca para liderar uma comissão de gestão e recuperação dos empréstimos mal parados. A lista dos maiores devedores foi publicada num jornal da praça. Em 2001, Siba Siba foi morto na sede do banco, e lanaçado do vão das escadas a partir do seu escritório, no topo do edifício. Vinte e cinco anos depois, continuam por ser identificados os autores materiais do crime.

Pedro Reis é o terceiro Adminstrador de um banco a falecer em circunstâncias suspeitas. Foi encontrado morto numa casa de banho, com sinais de esfaqueamento em vários locais do corpo: nas coxas, nos pulsos, no coração e no pescoço. Os serviços de investigação criminal foi rápido a concluir pela tese de suicídio, alegadamente complementado com a ingestão de veneno de ratos. Conhecedora do nível de penetração do crime organizado sobre o Estado e sobre a banca, a vox populi de Maputo não engoliu a conclusão do SERNIC e todo um conjunto de teorias da conspiração começaram a emergir pelas redes sociais, associando o assassinato de Pedro Reis ao contencioso entre o banco e importantes grupos económicos, com proximidade ao poder central.

Com vista a atenuar um incidente diplomático entre Moçambique e Portugal, uma equipa da Polícia Judiciária foi autorizada a viajar a Maputo para acompanhar a investigação. Não é a primeira vez que investigadores criminais se deslocam a Moçambique para ajudar a congénere polícia local. Em 2000, uma equipa da Interpol veio a Maputo prestar apoio na investigação do assassinato do jornalista Carlos Cardoso, mas enfrentaram obstáculos para acompanhar o processo. Resta saber se a equipa da Polícia Judiciária também vai passar uma semana bem instalada, num dos belos hoteis da cidade, a contemplar as calmas águas do Índico.

Imagem de Opinião de...João Feijó (Moçambique),

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"Administrador bancário, profissão de risco"

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