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Imagem de Ano Novo, Nova Era 
África em Destaque 30 dez, 2025, 15:20

Ano Novo, Nova Era 

Imagem de Ano Novo, Nova Era 
África em Destaque 30 dez, 2025, 15:20

Ano Novo, Nova Era 

2025 foi pivotal a nível global. A ordem mundial que imperava há décadas — estribada na vitória do liberalismo económico; na vitória moral do capitalismo sobre o comunismo; e numa indisputada hegemonia americana — parece correr para o seu fim. 

 Ao longo do ano, pudemos observar o colapso estrondoso das pretensões de superioridade moral das democracias ocidentais: 

  • a sua cumplicidade cega no genocídio em Gaza; 
  • a expropriação de cidadãos a favor de corporações;  
  • e o seu desprezo pela lei internacional e pelas suas próprias constituições 

expuseram a hipocrisia monumental do Ocidente perante o mundo. 

 A reputação dos Estados Unidos sofreu particularmente. O pretenso líder do mundo livre enfrenta o descontentamento generalizado da sua população com a escalada da desigualdade económica; assim como  uma desestruturação dramática do Estado de Direito. 

 Ao longo de 2025, analistas pelo mundo afora previram a queda iminente do império americano, discordando apenas em matéria de prazos. O facto é que, neste final de ano, encontramo-nos no olho de uma tempestade geopolítica capaz de reformular o equilíbrio de poder a nível global. 

 Os períodos de transição hegemónica são invariavelmente caóticos. Países como Cabo Verde — sem capacidade negocial, mesmo a nível regional — são obrigados a pensar cuidadosamente em como posicionar-se na próxima ordem mundial. 

 Ao longo da guerra colonial, o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde dependia completamente do bloco soviético e da China para a ajuda militar. Mas contava também com generosas contribuições de países da esfera ocidental — como a Suécia e os Países Baixos — para os seus programas sociais. 

Depois da independência, Cabo Verde inscreveu-se no grupo dos Não Alinhados — no qual ainda se mantém formalmente. O Governo de partido único dizia-se socialista, mas continuou a explorar fontes de ajuda internacional dos dois lados da Cortina de Ferro. 

 Com o final da Guerra Fria, o bloco ocidental emergiu como o único financiador do subdesenvolvimento; e Cabo Verde enfrentou uma escolha seminal: como posicionar-se perante uma nova ordem mundial, que seria regida, sem qualquer contraditório, pelo liberalismo ocidental? 

 Para um Cabo Verde completamente viciado na ajuda externa, a opção foi clara: adoptar uma organização política e económica que fosse agradável ao radicalismo liberal da União Europeia e das instituições de Bretton Woods – os novos mega-financiadores.  

 Reorganizar o Estado com o objectivo único de continuar a arrecadar ajuda externa pode ser ideologicamente reprovável. Mas o certo é que, através dessa reorganização, o Estado garantiu os meios para continuar a financiar-se; e a manter, através dos influxos de ajuda internacional, os equilíbrios económicos e sociais.  

 Nessa época, Cabo Verde ainda pensava estas questões com a necessária sobriedade; e o terreno político ainda não estava reduzido à imbecilidade eleitoralista que o caracteriza hoje. Mesmo assim a reorganização económica foi grandemente formal; e continuamos completamente dependentes da ajuda internacional.   

 Em vésperas de 2026, a pergunta que se coloca é a seguinte: quem, no país, está a ponderar os diversos cenários possíveis da nova ordem mundial— e as nossas opções, enquanto pequeno Estado insular ultra-periférico? Em que fórum da nossa democracia está sendo realizado este debate seminal? Infelizmente, parece que nenhum.  

Imagem de Opinião de...Rosário Luz (Cabo Verde),

Opinião de...Rosário Luz (Cabo Verde),

"Ano Novo, Nova Era"

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