Saltar para o conteúdo
    • Notícias
    • Desporto
    • Televisão
    • Rádio
    • RTP Play
    • RTP Palco
    • RTP Zig Zag
    • RTP Ensina
    • RTP Arquivos
RTP África
  • Programas
    Todos TV Rádio
  • Informação
  • Desporto
  • Podcasts
  • Vídeos
  • + RTP África
    Programação Top as 10 + sem espinhas

NO AR
Imagem de O bloqueio do poderoso corredor de Maputo
África em Destaque 7 abr, 2025, 08:51

O bloqueio do poderoso corredor de Maputo

Imagem de O bloqueio do poderoso corredor de Maputo
África em Destaque 7 abr, 2025, 08:51

O bloqueio do poderoso corredor de Maputo

Em finais do séc. XIX, a descoberta de ouro e diamantes no Transvaal (actual África do Sul), e necessidade de acesso da região ao mar, teve um impacto na transformação do Sul de Moçambique.
Capitais britânicos foram investidos na construção de uma linha de caminho-de-ferro com ligação a Lourenço Marques, e instalações portuárias.

Por este corredor económico passaram, na direcção do porto, os minérios e produção agrícola sul-africana, para exportação ou abastecimento da crescente população de origem metropolitana. No sentido inverso, circularam milhares de trabalhadores moçambicanos, a mão-de-obra abundante e barata necessária para os trabalhos nas minas e plantações na Áfica do Sul. Dezenas de milhares de moçambicanos foram anualmente contratados. Parte do salário era pago em ouro, directamente ao Estado português e, com o salário, os trabalhadores garantiam o pagamento do imposto da palhota.

O corredor de transporte constituiu um símbolo da exploração capitalista e colonial da mão-de-obra moçambicana. As reduzidas condições agro-ecológicas tornavam as províncias do Sul da colónia pouco produtivas. Mas a região floresceu como uma economia de serviços, em torno do porto e caminhos de ferro e exportação da principal riqueza existente na colónia: a sua mão-de-obra. A exportação de mão-de-obra moçambicana ajudou a subsidiar o capital mineiro e de plantação sul-africana, em prejuízo de transformações endógenas em Moçambique.

Já no período pós-apartheid, a desindustrialização na África do Sul teve impactos nas características do trabalho migratório, cada vez menos composto por trabalhadores contratados, mas cada vez mais por jovens indocumentados, que se desenrascam na economia informal ou em actividades ilegais na África do Sul. O corredor de Maputo transformou-se numa rota do crime organizado, de travessia de trabalhadores ilegais, tráfico de seres humanos, automóveis roubados, droga ou transferência ilícita de capitais.

Para a África do Sul é hoje exportada energia barata – oriunda de hidroeléctrica de Cahora Bassa ou do gás de Inhambane –continuando-se a subsidiar a indústria sul-africana, em prejuízo da economia moçambicana. Pelas vilas transfronteiriças passam, diariamente, toneladas de bens para exportação e abastecimento de Maputo, sem ligação com as vilas locais.

Neste cenário, não foi surpreendente que, durante as revoltas pós-eleitorais, o corredor de Maputo tivesse constituído um dos epicentros dos protestos. A fronteira em Resssano Garcia esteve vários dias encerrada por populações amotinadas, que vandalizaram os serviços alfandegários. Camiões com mercadorias foram pilhados e a N4 foi transformada numa esplanada, onde populares se fotografavam ingerindo bebidas alcoólicas.

Perante a passividade das autoridades, jovens deitavam-se nas estradas e divertiam-se com extintores de incêndio roubados, como se de metralhadoras se tratassem, numa catarse revolucionária.

O poderoso corredor de Maputo, símbolo do grande capital extractivo e colonial, foi alvo de uma chacota popular nunca imaginada. A interrupção deste importante corredor de transporte constituíu o maior protesto dos últimos 150 anos no Sul de Moçambique, cuja importância ainda não mereceu a devida atenção.

Imagem de Opinião de...João Feijó (Moçambique),

Opinião de...João Feijó (Moçambique),

O bloqueio do poderoso corredor de Maputo

Mais Episódios

Pode também gostar

Imagem de Plano Mattei: o novo modelo de cooperação com África

Plano Mattei: o novo modelo de cooperação com África

Imagem de O salto que ainda falta em São Tomé e Príncipe

O salto que ainda falta em São Tomé e Príncipe

Imagem de Angola pressiona Suíça para devolver 900 milhões de euros da corrupção

Angola pressiona Suíça para devolver 900 milhões de euros da corrupção

Imagem de CPLP pode fazer mais…

CPLP pode fazer mais…

Imagem de Jornalismo de Campanha

Jornalismo de Campanha

Imagem de O encerramento da Mozal

O encerramento da Mozal

Imagem de Tatanka Helpa

Tatanka Helpa

Imagem de O impacto das novas e velhas guerras nas gerações futuras em África

O impacto das novas e velhas guerras nas gerações futuras em África

Imagem de Cervejeira Rosema: entre o interesse público e o interesse político

Cervejeira Rosema: entre o interesse público e o interesse político

Imagem de INDRA: mais uma acha na fogueira eleitoral angolana

INDRA: mais uma acha na fogueira eleitoral angolana

PUB

Siga-nos nas redes sociais

Siga-nos nas redes sociais

  • Aceder ao Facebook da RTP África
  • Aceder ao Instagram da RTP África
  • Aceder ao YouTube da RTP África

Instale a aplicação RTP Play

  • Descarregar a aplicação RTP Play da Apple Store
  • Descarregar a aplicação RTP Play do Google Play
  • Contactos
  • Frequências
  • Programas
  • Podcasts
Logo RTP RTP
  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
  • Youtube
  • flickr
    • NOTÍCIAS
    • DESPORTO
    • TELEVISÃO
    • RÁDIO
    • RTP ARQUIVOS
    • RTP Ensina
    • RTP PLAY
      • EM DIRETO
      • REVER PROGRAMAS
    • CONCURSOS
      • Perguntas frequentes
      • Contactos
    • CONTACTOS
    • Provedora do Telespectador
    • Provedora do Ouvinte
    • ACESSIBILIDADES
    • Satélites
    • A EMPRESA
    • CONSELHO GERAL INDEPENDENTE
    • CONSELHO DE OPINIÃO
    • CONTRATO DE CONCESSÃO DO SERVIÇO PÚBLICO DE RÁDIO E TELEVISÃO
    • RGPD
      • Gestão das definições de Cookies
Política de Privacidade | Política de Cookies | Termos e Condições | Publicidade
© RTP, Rádio e Televisão de Portugal 2026