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Imagem de Uma guerra religiosa em Cabo Delgado ou uma guerra política?
África em Destaque 15 set, 2025, 07:52

Uma guerra religiosa em Cabo Delgado ou uma guerra política?

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África em Destaque 15 set, 2025, 07:52

Uma guerra religiosa em Cabo Delgado ou uma guerra política?

Desde 2017 que o Norte de Cabo Delgado vem sendo o palco de um conflito armado, desencadeado por um grupo localmente conhecido por alshababs. O grupo apresenta-se como Estado Islâmico. Se a inspiração islâmica do grupo é inegável, a realidade é que uma interpretação deste movimento meramente assente na religião não explica a sua complexidade. É verdade que é responsável pela destruição de igrejas ou estatuas cristãs. Mas no Norte de Cabo Delgado o cristianismo constitui a religião dominante do grupo etno-linguístico makonde, particularmente leal ao partido no poder, cuja elite concentra sobre si o acesso a grande parte dos recursos do Estado. A (re)construção de muitas igrejas tem sido patrocinada por proeminentes líderes políticos makondes, membros do partido Frelimo.

Um outro aspecto a ter em conta relaciona-se com a forma como foram tratadas as irmãs católicas raptadas pelos alshababs. Durante os ataques de Outubro de 2017, de Março e Junho de 2020 a Mocímboa da Praia, as instalações da Igreja Católica estiveram longe de constituir um alvo privilegiado da insurgência. As irmãs da Congregação de São José de Chambéry, dispunham de uma missão católica no bairro 30 de Junho, com uma pequena escola para crianças e prestação de serviços de apoio humanitário a pessoas necessitadas, islâmicas ou cristãs. Não dispondo de condições de transporte dos idosos que estavam a seu cargo, as irmãs foram permanecendo em Mocímboa até Agosto de 2020, numa altura em que a esmagadora maioria da população já se havia retirado.

Em frente às instalações da congregação religiosa circulavam regularmente guerrilheiros armados, sem que as religiosas fossem importunadas. A respectiva casa foi invadida na sequência da perseguição dos guerrilheiros a um técnico da Electricidade de Moçambique, suspeito de ser militar, que havia saltado o muro e se refugiado nas instalações. Os rebeldes saquearam computadores e valores monetários e as religiosas foram levadas para uma base dos insurgentes, permanecendo durante 24 dias em cativeiro. De acordo com as irmãs, após os momentos mais bruscos e agressivos da captura, o tratamento que receberam ao longo do cativeiro foi respeitoso e cordial, quer por parte da liderança da insurgência, quer pelos restantes guerrilheiros. A cordialidade foi também uma realidade durante as negociações telefónicas com o Bispo de Pemba para libertação das prisioneiras, mediante pagamento de resgate. Uma das irmãs confidenciou um episódio durante o qual Ibn Omar, líder da insurgência, lia no seu smartphone uma polémica entrevista realizada pelo então Bispo de Pemba a um órgão de comunicação social. Surpreendida, a irmã perguntou-lhe a opinião acerca do Bispo, ao que ele lhe respondeu: “diz coisas acertadas. Mas é muito ingénuo. Pensa que estas injustiças se resolvem com palavras. O governo só aprende à porrada”. Na verdade, a conclusão de Ibn Omar não é muito diferente da de Eduardo Mondlane em 1964 (quando iniciou a luta de libertação) ou de André Matsangaíssa em 1976 (quando iniciou a guerra contra o governo da Frelimo). Infelizmente, as transformações políticas mais significativas que decorreram em Moçambique resultaram de décadas de violência. Pagas com sangue do povo.

 

Imagem de Opinião de...João Feijó (Moçambique),

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